quinta-feira, 7 de outubro de 2004

A Esquerda


Agora que Sócrates veste as luvas rosa para que, enfim, o autocarro da comitiva prossiga à moderna, isto é, pela faixa da direita, Carvalhas vai abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português. Das duas novas uma delas peca pela sua veracidade, a outra é de bradar aos céus.
Eis que Sócrates, que de pensador só mesmo o nome, decide apresentar-se como um senhor capaz de transformar a Esquerda numa moderníssima aliada, à guisa do sidekick (como o Robin é do Batman), da não menos moderna Direita.
Alegre, triste pela derrota, vê angustiado que Che Guevara é só mais uma T-Shirt, talvez uma cara numa cigarreira qualquer.
Soares, qual João Loureiro, chora no colo de seu papá, reclamando a sua Esquerda, dizendo que é melhor que a dos outros.
Carvalhas leva consigo muito poucas saudades, existem uns quantos abutres a querer uma Esquerda mais para o moderno, com um novo design, quiçá a curvar para o lado direito.
Se a Esquerda não é solução, a perda de ideais também não leva a lado nenhum, a não ser à confusão dos coitados, esses decadentes, os que votam.
Assim temos uma Esquerda moderna, por isso destra, triste senhora. Temos um líder que abandona. E que venha o primeiro a andar em contra-mão na auto-estrada politica, pela faixa da direita é que se anda bem.
Não esquecer que as ultrapassagens bem feitas se fazem pela esquerda.

segunda-feira, 5 de julho de 2004

Guardem as bandeiras... até ao final da semana

Mas afinal Portugal ganhou ou perdeu? É que a festa foi tanta que, por momentos, pensei que o Presidente Jorge Sampaio tivesse anunciado eleições antecipadas. Depressa me desiludi, porque afinal Portugal perdeu. Isto, para além do resultado do futebol. Um país em festa, que assim continuou. As buzinas estavam compradas, tinham que ser gastas. Afinal talvez não durassem até ao final desta semana. Ao contrário das bandeiras. O meu apelo é que ninguém as tire das varandas, das janelas e dos carros, porque ainda podem ser úteis. No final desta semana vamos todos usar as bandeiras e as buzinas para receber o nosso novo primeiro-ministro. Santana Lopes, o novo Scolari da política nacional. Vai ser capaz de unir os portugueses em torno dos problemas de Portugal? Custa tanto a derrota. Especialmente quando estamos tão perto dela. E, neste caso, a culpa vai ser sempre do árbitro. Mas, seja qual for a decisão de Sampaio, o país vai sair à rua para buzinar e gritar. Será? Os potugueses terão estômago para, apesar de derrotados, sair à rua para festejar com o campeão? Venham as bandeiras e as pinturas. Força Portugal (que bem precisas)!

Mais um Toni no Benfica

Apanhei ontem a ponta final de uma notícia na rádio ...Toni no Benfica. Por momentos pensei que estava tudo louco (outra vez), e depois acabei por confirmar isso mesmo. Trapattoni é o novo treinador do Benfica. Já tem a parte de Toni, mas acrescenta a isso o lado de Trapa(lhone). Ora, vamos lá ver se a bica benfiquista não fica demasiado curta, tipo a jogar numa ínfima parte do meio-campo... defensivo. Assim uma espécie de italiana do futebol.

terça-feira, 15 de junho de 2004

Atentado terrorista em Albufeira

Estávamos com um medo terrível de um atentado em Portugal em época de sobejo festim futebolístico, porém, saiu-nos o tiro pela culatra. Nós que fazemos da racionalidade ocidental uma bandeira, nós que acusamos os árabes de serem pouco civilizados, que nem por isso – e ontem assim ficou provado – somos mais civilizados, fomos surpreendidos pelo fanatismo, desta feita não sagrado, mas sim religiosamente “afutebolado”, dos adeptos vindos das Terras de Sua Majestade. Podia esperar-se outra coisa de um país que está no Olimpo da civilização, por outro lado a burrice extra-fronteiras de um Ministro como Tony Blair, um sapiente lambe-cús transatlântico, não nos permite bons augúrios para o futuro dos súbditos de Isabel II. Ele está a dar o exemplo de como praticar terrorismo pelas boas causas, Madre Teresa com a bomba H atrelada às costas, para não dar o velho exemplo do lobo em pele de cordeiro. Assim, se aguardam as bombas, antecedidas pelo prefixo al-, enquanto os cockneys se regalam com a cerveja das Terras de D. Afonso Henriques – ou D. Duarte Pio para os ainda crentes – e utilizam as garrafas para arremessar aos soldaditos de chumbo que a cavalo esperavam pelos aviões e homens-bomba islâmicos. Bin Laden acabou o teu tempo em Portugal… Já não metes miaúfa.

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Cursos de Ingês para moradores

Os habitantes das cidades que vão receber jogos do Euro 2004 estão a ser convocados (não para a Selecção Nacional) mas para um curso intensivo de inglês, com a duração de 1h e 13 minutos. As sessões, que deveriam ter começado no início de 2003, vão decorrer até Agosto para preparar os cidadãos para o Euro. Desta vez, apesar de nada o prever, também Vítor Baía foi convocado. “Estou muito feliz” foi a única frase que o guarda-redes conseguiu soltar, por entre lágrimas de emoção.

Os moradores de Alfama e Bairro Alto é que não escondem a sua revolta pelo atraso nos cursos: “Agora vamos a qualquer lado e temos que pedir tudo em Inglês. Ninguém ensinou a falar essa língua dos estrangeiros e nós é que nos lixamos", diz Zé dos Pirolitos, que continua: "Vamos ali ao café do Manel Padeiro, e ele não nos percebe”. A Ventoinha acompanhou este habitante de Alfama, o Zé dos Pirolitos, que depois de pedir uma "loirinha", uma “burra”, uma “jola”, e em desespero, uma “cerveja”, lançou um grito de revolta: “Dá-me uma biérre, *#$%#”. Ao que o empregado finalmente acedeu.

Porém, e para evitar mais dissabores, Zé dos Pirolitos acabou por levantar três dedos, proferindo novamente a palavra “biérre”. “Para não ter sempre a repetir esta lenga-lenga, peço já três e fico despachado”.

Também Maria dos Trapos, depois da tentativa falhada de se deslocar num táxi, uma vez que quando espreitou pelo vidro o taxímetro contava já 14,25 euros de tarifa, decidiu entrar num autocarro da Carris. “Quero um bilhete se faz favor”. Do outro lado, um motorista dos seus 49 anos e meio responde “Whati?”. Maria lembra-se então da noite que passou no Centro de Saúde, onde uma “tiazoca” (como lhe chamou) pediu um "tickê no guichê". Ora tal reminiscência salvou-lhe a viagem. “Quero um tickê”, entoou. E então sim, depois de toda a gente que estava na fila do 28 a ter ofendido (em inglês), conseguiu sentar-se, não reprimindo um desabafo, em bom português: “Estes camones de m....”

E tu, zzztttttttt?

Bom, e ao fim de duas semanas chegou a minha grande decepção! Cada vez que ligava a televisão, em qualquer um dos canais, perguntavam-me se eu Zzzztttt... Passou-me tudo pela cabeça. A umas coisas respondia a mim mesmo que sim, outras achava contundentemente que não. Afinal, há coisas que um gajo não zzttt!!! Mas ao fim deste tempo todo em suspense profundo (a vertente do coma para publicidade), finalmente percebi e deparo-me com a dura realidade: EU NÃO ZZTTTTT! Se por um lado é assustador, talvez por me sentir diminuído por aqueles que zzttt, por outro fico muito contente. Afinal não faço parte do rebanho que zzztttt! Ainda não consegui digerir bem este facto... Mas quero convencer-me que é bom eu não zzztttt...

segunda-feira, 19 de abril de 2004

O soar das sirenes

Em Israel soaram as sirenes… Não, não era um ataque bombista, não era um raid aéreo e muito menos era a carrinha da Family Frost. Era, isso sim, o tal momento em que se recordam as vítimas do Holocausto. Coff… hehumm… Coff, perdão, vitimas do Holocausto? Aqui começa a minha oportunidade para desconstruir este lamento – à moda dos bombeiros voluntários (por causa da sirene) – israelita. Se bem me recordo os Nazis já passaram à História, é certo que as marionetas da direita ainda assombram o território da chamada União Europeia, no entanto nada como o que se passou. É de lamentar esse episódio da História, mas houve quem tivesse dito que aquele que não aprende com a História está destinado a repeti-la. Caros “amigos” israelitas, ou deverei chamá-los de MacJudeus, quem é agora o Nazi? Serão essas sirenes dignas de soar pelo que soam, a lembrança das vítimas do Holocausto nada faz a essas lindas cabeças, onde usam esses lindos chapéus com esse lindos caracóis, parece-me que em vez de pararem para lembrar as vítimas deviam parar para pensar nos actuais opressores, em vez de pensarem naqueles que morreram, aqueles cuja lista de Schindler não salvou, pensem sim nos que agora estão a matar, enfim, perdoem-me a parcialidade, mais dada aos “terroristas”. Realidade ou facto, Israel tem tanques, a Palestina tem… carroças. Os israelitas mandam morteiros, os palestinianos… pedras. Para quê as sirenes, para quê essa lembrança, se agora são vocês os Nazis… Os meus parabéns à politica internacional, os meus parabéns à História da Humanidade, os meus parabéns ao 52º Estado norte-americano, sem estas entidades esta critica não seria possível, muito obrigado… A sério.

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Incentivo ao voto nas europeias

“Durão quer mandar Ferreira Leite para Estrasburgo”, é a manchete d´A Capital de hoje. A actual Ministra das Finanças será a escolha do primeiro-ministro para cabeça de lista às Europeias. Manuela Ferreira Leite é o rosto (feio) que mais desagrada os portugueses. Manuela Ferreira Leite obrigou cada um de nós a fazer vários furos no cinto. Manuela Ferreira Leite quer o nosso dinheirinho. Manuela Ferreira Leite vai sempre ficar marcada pelo que fez, mas sobretudo pelo que privou os portugueses de fazer. Durão Barroso, obviamente, quer mandá-la para bem longe, para um sítio onde ninguém oiça falar dela. Em resumo, para o Parlamento Europeu. Durão livra-se dela, ganha um grande trunfo. E haverá melhor incentivo para que os portugueses acorram como nunca às urnas?

segunda-feira, 5 de abril de 2004

O que vai na cabeça do Durão para além dos feios olhos esbugalhados de sempre

Aznar bem tentou convencer os espanhóis de que a ETA era responsável pelos atentados de Madrid. Estava em causa o seu lugar no poder e, por cá, também o Durão vai assentando na sua agenda estratégica os mais prováveis criminosos caso os terroristas se lembrem de ver quem é o moscardo que aperece nas fotografias da Cimeria dos Açores e decidam espetar com umas bombas no Colombo.
Para se aguentar no poder e afastar quaisquer suspeitas de terrorismo, Barroso escreveu na primeira linha o famoso gang da CREL. E sorridente - com aquele sorriso charmoso que só nós conhecemos - vai pensando. "É isso mesmo! O gang do multibanco também não era mal jogado. Mas não! Até é melhor dizer que foi o da CREL e sempre dá para inventar uma carta qualquer bastante ameaçadora entregue à actriz Lídia Franco durante o assalto que lhe fizeram. É isso, uma carta que durante todo este tempo esteve guardada para proteger os portugueses e que já anunciava uma vingança caso o pagamento das portagens na CREL fosse mesmo avante. Tem lógica: as portagens afastam o pessoal dali e os tipos já não tinham tanto gozo nos assaltos. Ou seja, Lídia Franco, carta, portagens, tunga: bomba no Colombo".
Como se os portugueses fossem estúpidos. Só se é estúpido uma vez na vida e os portugueses já tiveram a sua dose de estupidez quando o elegeram para primeiro-ministro. O gang da CREL?! O homem tá completamente louco. Só espero é que o Durão não leia isto e se lembre de pegar na do gang do multibanco.

quarta-feira, 24 de março de 2004

Manifesto Anti-Coelho da Páscoa

Olha lá meu “felpudinho”, tu julgas que enganas alguém com esse casaquinho de peles, pois bem, estás muito enganado ò drag queen saltitante. Em primeiro lugar, quem te manda a ti fazeres-te passa por galinha alucinada a pores ovos ás cores, compreendo que seja só para ser mais feliz a Páscoa, no entanto vai-te mas é curar porque esses olhinhos vermelhos não enganam ninguém, ó drogadito. Deves andar metido na papa para conseguires pôr ovos ás pintas, ou então és enrrabado constantemente pelo Serginho e por isso cagas ovitos com essa cores todas. É o seguinte, a Páscoa é de Jesus, o homem já foi crucificado, não o vamos obrigar também a pôr ovos como tu, por isso baza lá e deixa-te de fitas, como o outro gordo de vermelho que mais parece o Carlos Castro montado nos seguranças de uma discoteca qualquer. Jesus não põe ovos. Tu não passas de um porta-chaves chinês, um amuleto e ainda mais, não passas de um gato com vison e orelhas compridas, porque sinceramente tu todo esticado já mias… Não acredito nessa tua simpatia, porque estás sempre a saltitar, cheira-me a homossexualidade seu gato com dores de estômago, sim, porque só um gato com dores de estômago é que anda assim como tu andas. Ainda mais, quem é que te disse a ti que eras engraçado, no mínimo estranho ó “felpudinho”. Sem muito mais conversa e já que pões ovos de chocolate, meu pedaço de cabrão, chupa-me a Pintarola e põe-te a andar.

sexta-feira, 12 de março de 2004

Somos todos madrilenos. Às 18 horas de hoje faz-se um minuto de silêncio. Abaixo o terrorismo. Abaixo os EUA!!

quinta-feira, 11 de março de 2004

Apresentação do Absurdo (Cristo vem cá baixo ver isto!!!)

Eliminar um gato para dar origem a um coelho que sai da cartola do mágico contra-autor da normalidade do mundo é deitar por terra a funcionalidade dos animais normalmente comestíveis. Encerrar um cão na gaiola é dar ordem de despejo ao pássaro bode expiatório dos fetiches da sua dona. Por conta e jeito morre em pretérito quase perfeito o sujeito daquela algazarra que por ciúmes do Bandarra foi menos sapateiro que este pretendendo mesmo assim saber mais do futuro que insiste em mostra-se obscuro na sua treva onde ninguém o leva por vencido ou encolhido porque o futuro estende-se e estica-se no infinito do que ainda não aconteceu e tão depressa se esqueceu por atitudes mal medidas e planos que de tão furados nada mostram que não o caos onde a ordem finalmente repousa… Principio.

terça-feira, 9 de março de 2004

De olhos arregalados para a passadeira

Cheguei cedo demais ao Atrium Saldanha. Vou ter que esperar. Tal como eu, entre as 12h30 e as 14 horas são muitas as pessoas que ficam à espera, junto à porta rotativa (que está sempre a encravar). Esperam por um amigo(a), namorada (o), familiar... E esperar à porta do Atrium é um acto cívico. É sempre mantida uma distância de segurança. É a solidariedade de quem espera. Vão olhando uns para os outros, com um ar de compreensão. De repente, a atravessar a rua vê-se alguém que esboça um sorriso na direcção da porta das 'galerias'. Ora, para mim não era, por isso olhei discretamente para ver quem era o sortudo(a) que não vai esperar mais. Cumprimentam-se e zás... menos um.
Fui passado à frente e sou olhado com ar superior, como quem diz: "já me despachei". Ainda antes de pensar sequer num nome feio, chega mais um que fica à porta. Eu continuo com os olhos arregalados para a passadeira. De cada vez que o sinal fica verde para os peões, os meus olhos procuram incessantemente... até ao próximo sinal verde. O processo repete-se. Mas chega a irritar, quando um caramelo qualquer, acabado de chegar, vê a sua companhia chegar. E eu à espera, rodeado de quem pense o mesmo.
Finalmente. Agora sei que o sorriso, por entre dezenas de pessoas na passadeira, é para mim. E prontamente digo que "acabei de chegar", "não faz mal", "nem reparei no tempo a passar". E lá vou, com ar superior, a andar devagar, com a perna arqueada e as costas direitas. Os outros, vão ter que esperar!

segunda-feira, 8 de março de 2004

Escoamento de stocks

O Dia da Mulher. Não chegava ser ridículo, como é também Internacional. 24 horas que movem televisões, jornais, rádios, sondagens, estatísticas, promoções, ofertas especiais, tudo envolto num embrulho de hipocrisia. Portugal é um dos países europeus onde as mulheres são mais maltratadas. Não direi que é prática corrente 364 dias do ano, porque um deles (o de hoje) é o Dia Internacional da Mulher! Os maridos aproveitam para oferecer os ramos que já estão feitos na florista do bairro, para comprar um coraçãozinho a dizer 'amo-te', para levar a esposa (hoje assim pomposamente chamada) a jantar a um restaurante caro. Parece um dia perfeito. Mas amanhã... regressa o dia-a-dia. Talvez aquele que esconde o que acontece em muitos lares do país. Realidades que são acumuladas até daqui a um ano, quando se celebra novamente o Dia Internacional da Mulher! Aí voltam a ser o centro das atenções e todos as defendem.
Mas tudo é promovido ao mais alto nível: Santana Lopes, Presidente da República, Primeiro-Ministro. No fundo, a promove os lobbies do consumo. O dia, que está quase a terminar será um dia feliz ou é algo que envergonha muitas mulheres? Que dirá a deputada Odete Santos deste dia? Não será apenas o escoar de stock que restou do Dia dos Namorados? O dia ideal para que as mulheres já se tenhma esquecido do que receberam no São Valentim, e a salvação dos pequenos/médios/grandes empresários que não querem guardar mercadoria para o próximo ano. Mas, e para aligeirar mais a coisa, o dia do Homem começa amanhã e interrompe novamente no próximo dia 7 de Março. Não adianta dizer o contrário. A não ser que tenham ficado ainda muitos corações e pelúcias por vender...

Folhetos distribuídos pelo aborto (do padre)

Nos últimos dias veio a público que uma organização cívica de apoio à grávida, dirigida pelo padre Jerónimo Gomes, está a distribuir milhares de folhetos chocantes sobre o aborto em várias escolas portuguesas sem conhecimento dos pais das crianças. Nos folhetos pode ler-se "a criança vai sendo torturada, desmembrada, desarticulada, esmagada e destruída pelos insensíveis instrumentos de aço do abortista". Grave, muito grave. Mas, enquanto o Ministério da Educãção promete fazer a Ventoinha chegou à fala com um dos miúdos que foi confrontado com o chocante folheto. Chamemos-lhe R.

Ventoinha: Ficaste chocado com o que viste no folheto?
R: Não
Ventoinha: Mas as imagens estão a levantar muita polémica...
R: Não sei porquê...
Ventoinha: O que achas do aborto?
R: Acho que deve ser um direito da mulher.
Ventoinha: Mesmo depois de veres as imagens?
R: Especialmente depois de ver a imagem... daquele padre. Por haver muita gente a pensar assim, é que ele existe... Há abortos que deviam ser obrigatórios...

Gigi Florin, a moedeira portuguesa

Uma notícia muito interessante foi este fim-de-semana publicada na Grande Reportagem. Um romeno chamado Gigi Florin, que gostava muito do seu copito de vinho, decidiu fazer uma aposta com um francês. No bar da cidade disputaram o título de quem seria capaz de engolir mais moedas (!!?). "Quando já tinha 120 no estômago, o romeno desmaiou e foi levado para o hospital. Depois de um intervenção cirúrgica, conseguiu sobreviver, ao contrário do francês, que veio a morrer, semanas mais tarde". Gigi Florin terá então ficado com as moedas que o francês tinha já ingerido. E, pelo que se sabe, esta aposta é prática corrente do romeno Gigi. Ao que a Ventoinha apurou, Gigi é afinal uma mulher (!) A Ventoinha apurou também que Gigi não é mais que o correspondente a Manuela em romeno. E Florin é uma conhecida marca de leite no mesmo país...

domingo, 7 de março de 2004

100 metros justiça

Ora, agarrando num jornal de algumas semanas, recordei um belo momento da televisão nacional e da cassete pirata. João Vale e Azevedo (ou Vale de Azevedo, ou ainda Val Dazevedo, como é conhecido) foi solto depois de ter organizado toda a bilbioteca da prisão, edado novo ânimo a um jornal interno. Um amor dentro do estabelecimento prisional (não confundir com as prisões). E, em directo para todo o mundo, através da NTV, o conhecido advogado saiu. A uns bons metros, e com zooms ladrões, as câmaras mostraram a sua careca. Mas, logo de seguida, dois indivíduos aproximam-se do ex-presidente do Benfica, e prendem-no novamente. Houve quem contasse 45 segundos, 1 minuto, alguns minutos, poucos minutos. No máximo terá sido um minuto e 27 segundos. Qual prova de velocidade nos jogos olímpicos. Ora, por tudo isto, resta-me perguntar:

- Quem tem coragem de dizer que a justiça portuguesa é lenta?

sexta-feira, 5 de março de 2004

As falsas despesas de manutenção

Frequentemente, o banco chega às nossas economias e tira-nos dinheiro para uma coisa que chamaram de “despesas de manutenção”. Isto faz alguma confusão porque, se pensarmos bem, os tipos não têm despesas nenhumas de manutenção. Já nem vou falar no facto de não conseguirem manter rigorosamente nada. Porque verdade, verdadinha, o mês vai passando e o dinheiro não se vai mantendo, vai fugindo. Mas pronto... nem vou por aí. A questão é que o banco nunca pode ter despesas de manutenção quando somos nós, clientes, que fazemos tudo. Uma pessoa tem que se levantar cedo, aguentar minutos desesperantes nas filas, contar o dinheiro, preencher papeladas, tirar a carteira para confirmar o número da conta porque não nos lembramos, explicar no guichet aquilo que queremos. Do outro lado está uma senhora de lenço ao pescoço ou um senhor com o pescoço na gravata que estende a mão, digita três palavras no computador e faz “Enter”. Até à próxima. E já está. A que despesas de manutenção é que eles se referem? As nossas contas nunca precisam de pneus novos, nem de luzes novas, não precisam de fascinas nem de lubrificantes...As nossas contas não precisam de manutenção. Metam isso na cabeça de uma vez por todas. E vamos unir-nos num movimento único de protesto a favor do fim das despesas de manutenção. Disse.

P.S. – O movimento já tem três membros. Eu o meu pai e a minha mãe. Os bancos que se acautelem.

Trânsito parado na auto-estrada

Atrasado, pela auto-estrada fora, trânsito parado. Algo completamente rotineiro, tal como o que escrevo a seguir. Ora, a auto-estrada tem três filas. Venho desde há vários quilómetros na faixa da esquerda e está tudo parado. A do meio está a andar melhor, por isso faço pisca, oiço uma buzinadela mas encaixo-me. Mas, o trânsito pára nesse exacto momento. A fila da esquerda começa a andar. Depois é a vez da via da direita, para onde passo prontamente. Poucos metros à frente, o "inesperdao". Pára também. A do meio continua a andar e a da esquerda ainda não parou desde que saí de lá. Vou novamente para a faixa do meio para prontamente regressar à da esquerda (de onde nunca devia ter saído). E paro!!! Nem se mexe... estou parado na fila da esquerda... e as outras estão a andar...

quinta-feira, 4 de março de 2004

Não baixar os braços

Ainda gostava de perceber por que continuam a insistir nas entrevistas aos jogadores após os jogos de futebol. Não entendo. Ora, alguns (poucos) fartam-se de correr 90 minutos (se lhe subtrairmos o tempo perdido, ficam uns 35) e vêm todos transpirados (Córroreeeee!). Ora, se numa situação normal a sua oralidade é uma bênção aos nossos ouvidos, no final de um jogo é o que se sabe. "Lutámos [termo mais que certo, por vezes], mas não tivémos sorte"; "O resultado foi injusto, merecíamos ter ganho"; "Foi um bom jogo de futebol"; "Perdemos mas não vamos baixar os braços (muito gosto eu desta)"; "Temos que olhar para a frente". Isto já para não falar dos impropérios que dirigem, quase sempre quando perdem, ao árbitro. E depois, nas transmissões televisivas ficam muito chocados quando não aparece nenhum jogador (normalmente também quando perdem). Deviam agradecer!!! O que se pode esperar dali? Mas continuam a insistir... e depois multam os treinadores, quando não vão à mini-entrevista. Aquela onde as estações de televisão ganham dinheiro com toda a publicidade cravada num placard. Mesmo quando não vão, o repórter tem que aguentar pelo menos um minuto, para que tenhamos tempo de ler todos os patrocinadores. E, por isso.... continuam a insistir... só me resta "não baixar os braços"...

Ventoinha passa para velocidade 2

Quero aqui pedir desculpa pela inactividade da ventoinha. Este facto deveu-se apenas a problemas técnicos que não tivémos (!!??!) Porém, acabei de passar a ventoinha para a velocidade 2, o que é obra. E, para o provar, consegui adicionar uma área de comentários. Está pronto a ser inaugurado.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

É bonito de se ver!!!

O que eu gosto mais no Carnaval português é não ter de gastar dinheiro numa viagem ao Brasil para assistir aos grandes desfiles carnavalescos. A maioria das localidades do país decidiu de uma vez por todas deixar os cabeçudos e as matrafonas de lado, para abraçar de corpo e alma o fio dental, as mamocas a saltar, os instrumentos do samba e as canções a falar do Durão com sotaque brasileiro.
Em Torres Vedras, por exemplo, até pedra caiu dos céus, mas as folionas lá se aguentaram, a tiritar de frio e com as bochecas do rabo todas vermelhas da má circulação, até ao final do corso. Na Mealhada, em Ovar, ou em Loulé, continua a haver matrafonas, mas não as que fazem parte da tradição do Carnaval português. Estas matrafonas de que falo, são mulheres de todas as idades que, inexplicavelmente, saem à rua com biquinis malucos e plumas na cabeça. Não faltam barrigas salientes, muita celulite e uma forma de sambar que mais faz lembrar o fandango. Os sotiens bem brilhantes, inspirados numa qualquer tribo de Paraguaçu, nunca são suficientemente grandes para acolher tanto peito. A meio do desfile é vê-las a passar com as meias de rede já rotas, a coxear do pé esquerdo porque os ensaios de samba nunca foram feitos com os saltos que levam para os corsos, e com as mãos agrradas à cabeça para impedir desesperademente que o pesado capacete de plumas que levam no cocoruto não se estatele no chão. A juntar a estas tristes figuras, ficam de cama nos três dias seguintes ao Carnaval devido ao frio e à chuva que apanharam no fio dental. Voltem cabeçudos e matrafonas, estão perdoados. São Pedro continua a dar recados, mas parece que ninguém entende!!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

A homenagem possível...

Como dizer que sinto muito… gostava de expressar a minha raiva contra a Ceifeira que teima em levar para o seu mundo aqueles que julgamos ser os Bons… quantas vezes não ouvi dizer da boca dos mais velhos “ a morte só leva os bons, os maus ficam cá todos”, não posso chegar a tanto, pois não conhecia tão bem assim o malogrado jogador Miklos Feher, e por este motivo ficam de lado os juízos de carácter e entram em cena os possíveis lamentos, que nunca são suficientes quando se assiste a uma tragédia destas. Não choro a sua morte, no entanto, solto pequenos suspiros, de indignação, de interrogação e principalmente de tristeza. Os suspiros de indignação porque a própria vida prega rasteiras que, a nós os vivos, nos surpreendem, rasteiras que nos deixam indignados, enfim, rasteiras que nos jogam no abismo da morte, numa queda final… dada a situação, pela sua profissão poderá até dizer-se, em jeito de piada possível nestas alturas, que “a morte entrou a pés juntos”, e pôs em riste a sua alma… sinal de respeito perante o fim… suspiros de interrogação, porque me surge o inevitável “Porquê?”, "Por que motivo?", interrogações, nascentes de onde brota o rio dos argumentos… as especulações são afluentes… mais do que procurar a causa da morte, reflectir sobre a nossa própria vida, os momentos (obrigado Cláudio!) coleccionem-nos, se for possível, multipliquem-nos. As mais sinceras e sentidas condolências… Até à Eternidade Miklos Feher…

Momento(s) de luto

Em certos momentos somos obrigados a reflectir. Há acontecimentos que nos marcam sobremaneira. Mesmo, por vezes, com uma dor sem lágrimas, toca-nos. Profundamente. Mesmo sem o contacto directo com a situação. Mas o contacto em directo tem um efeito exacerbador da partida, do adeus. São momentos tão raros como profundos. Tão rápidos como dolorosos. Há coisa que nos fazem pensar no que são afinal os anos, os meses, os dias, os minutos. Por isso, as garantias que temos são guardar tudo em momentos. Meros momentos. Vividos com a fragilidade que a vida nos traz. Foi num momento fulminante que Miklos Fehér desapareceu, aos 24 anos. Um só momento, tão frágil, tão rápido e tão intenso. Uma pequena homenagem de pesar ao homem, infelizmente morto em directo na Tv. Condolências e pesar.

sábado, 24 de janeiro de 2004

Tem cartão dominó?

Apesar das mil e uma vezes em que já fiz compras no Pingo Doce lá perto de casa – desculpem não ser mais precisa, mas a fama tem destas coisas – a desgraçada ou o desgraçado que está na caixa teima em perguntar-me se tenho cartão dominó.
O momento de pagar as compras já se transformou até numa vivência pura de angústia, por não ter o tal mal fadado cartão dominó. Já experimentei dizer logo um “Não”, antes sequer de dizer boa tarde, mas é escusado. “Tem cartão dominó?”. E lá volto a dizer, agora mais baixo, que “Não”, enquanto um velhote sorridente atrás de mim vai abanando orgulhosamente o porta chaves onde está pendurado o irritante cartão. Como se ali os possuidores da chapinha fossem os reis e os outros uma cambada de marginais. Só o nome faz confusão. Dominó! Quem se terá lembrado de um nome tão estúpido para uma acção de descontos? Já estou a ver a discussão à volta de uma grande mesa, onde estão presentes os maiores cabeçolas do grupo. “Opá eu acho que Mikado pegava melhor”. Enquanto outro a barafustar, o vencedor, “Isso não tem jeito nenhum. Era a mesma coisa que termos um cartão de desconto chamado Batalha Naval. Ficamos com Dominó”. Reunião terminada.
E coitados agora dos funcionários das caixas do Pingo Doce a repetirem por horas e horas seguidas a estúpida pergunta “tem cartão dominó?”. Aliás, já são muitos os que balbuciam qualquer coisa como “em artão minó?. De tantas vezes fazerem a pergunta. Isto é desgastante!
Conta-se que há uma moça, a Sandra, que não aguentou. Está de baixa por tempo indeterminado. Largava o Pingo. Chegava a casa e o marido logo a seguir. O querido para ela. “Então Sandocas, correu-te bem o dia?”. E ela já sem dar conta a responder-lhe “Tem cartão dominó? Correu, tou cansadita”. E cada resposta, cada conversa, cada reza, não conseguia ser expressada sem a pergunta matemática. Está de baixa. As vizinhas dizem que se fecha em casa a comer iogurtes magros e a inventar paciências. Não com cartas, mas com peças de dominó.

terça-feira, 20 de janeiro de 2004

À rectaguarda e daqui para a frente

Olá! Primeiro deixem-me cumprimentar as três novas pessoas que passaram a visitar a página quando souberam que eu ia meter aqui uma colherada. A saber: olá mãe, olá pai, olá D. Carminda (a senhora da papelaria lá ao lado da minha casa que se apaixonou pela Internet quando descobriu que tinha todas as receitas de culinária do mundo).
Depois, quero dedicar esta minha participação a todos os atletas, amadores e de alta competição, que conseguem realizar mortais encarpados à rectaguarda.
Finalmente, dizer que vou tentar aproveitar este espaço da melhor maneira. Daqui para a frente vou dar asas à minha expressão, vou sugerir-me (tal qual Carrilho afunilado para a Câmara de Lisboa), vou acender as luzes, vou para a frente. Porque isto de estar sempre a dar mortais à rectaguarda é muito bonito, mas se não se conseguir andar para a frente...ai, ai!
Bom, e se calhar ficava por aqui. A minha mãe diz que sim. Que assim está muito bonito, filha. Ainda bem. Confesso que fiquei um pouco nervosa quando comecei a escrever, mas caramba...se o Carlos Castro se farta de escrever porque é que eu não posso fazê-lo?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2004

Mais uma lufada de ar fresco... agora a escrita acrobática

Pois é, consegui juntar mais um grupo de três pessoas a visitar a Ventoinha. Uma vitória. E, mais uma vez, a aquisição é de peso. Um toque mais feminino da Ventoinha, que já fazia falta. Mas não só um toque feminino, como um toque acrobático.

A aquisição de Inverno dá pelo nome de Ana Oliveira. Uma escrita ímpar. Por vezes cantada. Mortais encarpados à rectaguarda nos textos é o que todos os leitores podem esperar. Acrobacias de uma escrita limpa e objectiva, com aquele sentido de humor que se quer.

domingo, 18 de janeiro de 2004

Publicidade enganosa?

Confesso que não sou de me deixar influenciar muito pelos anúncios na televisão. Mas recentemente surgiu um que me fez pensar. Com a repetição vezes sem conta cheguei mesmo a fazer algumas introspecções. Uma coisa que para mim era banal deixou de o ser. Até então não via prazer nenhum em lavar a cabeça. Ora um shampoo (champô em português) que nos faz gemer é algo inquietante. Os gemidos, levados ao extremo, numa casa-de-banho de um avião, fazem pensar. Nota-se ali um certo exagero, mas na proporção certa para suscitar curiosidade. Sem querer baralhar apenas duas considerações rápidas:

- apresentem-me aviões que tenham casas-de-banho com espaço para lavar a cabeça.
- alguma casa-de-banho tem intercomunciador?

Continuando. Por acaso (ou talvez não) estava eu a tomar banho quando me deparei com uma embalagem de Herbal Essences. Esse mesmo! Nem pensei duas vezes. Experimentei. Desilusão total. Lavar a cabeça voltou a ser uma coisa sem qualquer prazer orgásmico. Até usei mais quantidade de champô do que o nornal..... e nada! Nem um simples e contido gemido. Nada, rigorosamente nada. Mesmo assim, ainda me perguntei no fim:

- Será a falta de um intercomunicador?
- Será que é só para mulheres?
- Ou só funciona nos aviões?

Sem respostas, apenas cheguei à conslusão que é certamente o champô da Júlia Pinheiro. Eu, nem um gemido!

terça-feira, 13 de janeiro de 2004

O lado negro dos provérbios populares

Quem se lembrou de dizer que “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, devia ser excomungado da memória popular… Não é que o ditado esteja fora de moda, ou que a sua aplicação possa interferir com alguns dos senhores do poder do nosso, tão amado, país de brandos costumes, diga-se aliás que, se decidíssemos todos roubar o Governo, seríamos perdoados para sempre. Mas não é disto que quero falar, a situação do país, julgo eu, já se basta a si mesma, “o pior cego é aquele que não quer ver”, lá está mais um ditado. O real problema do ditado é a absolvição da consciência criminosa, pelo facto de estar a fazer justiça por si, sendo criminoso, julgando que a ambivalência de papéis lhe entrega o perdão. Ao que me quero referir é ao facto do Sr. Carlos Silvino, o “Bibi”, como gosta de ser chamado pelos comparsas do fetiche, querer apresentar uma queixa-crime contra o Sr. Adelino Granja, o mal não está no facto de apresentar queixa, o mal está em quem a apresenta, não espere o Sr. “Bibi” que a tradição do ditado popular o absolva. Nem por sombras! Não que ele esteja a roubar alguém, porém, criminoso como ele é, ou bode expiatório de uma laranja podre (vá-se lá entender o que calcorreia a minha iletrada mente!), diga-se que o ditado não se desvirtua totalmente do seu sentido, basta mudar para “criminoso que culpa criminoso tem cem anos de perdão” mata-se a rima, no entanto dá-se um sentido actual ao ditado cujo lado negro, ou seja, a sua real aplicação (não dizemos ditados só por dizer, apesar de ser bonito de vez em vez), acaba por apanhar na calha aqueles que ainda julgam que “à noite todos os advogados são parvos”… Ups! Desculpem, “à noite todos os gatos são pardos”. Ai os provérbios!!